Emoções na Liderança

Aprendemos desde cedo que o correto é estar feliz o tempo todo, e com isso acabamos desvalorizando as emoções negativas. Queremos negá-las, sufocá-las e eliminá-las do nosso caminho. As redes sociais validam essa tese, não é mesmo?

O Lado Bom do Lado Ruim, novo livro do psiquiatra Daniel Martins de Barros, mostra que as emoções desagradáveis não são incômodos que devem ser silenciados. Em vez disso, são alertas preciosos que nos chamam atenção para algo mais profundo que não vai bem na nossa vida.

Uma das funções mais importantes de expressar sentimentos (o nome que damos às emoções) é fazer com que a gente se comunique com os outros: transmitir e receber informações. Ainda mais poderosa, é a conexão e a confiança que criamos com as pessoas, a partir desse tipo de interação.

Se pensarmos no mundo corporativo, cada vez mais incerto e volátil, a capacidade do líder de se comunicar como uma pessoa real com sentimentos reais, será indispensável. E, como nem sempre as notícias que precisamos dar são boas, não ter emoções negativas seria como perder parte do nosso vocabulário. 

Escondemos emoções na tentativa de manter o controle, parecer forte e manter as conversas difíceis à distância mas, na realidade, isso diminui a nossa produtividade e enfraquece a nossa capacidade de liderar. Acabamos não dizendo o que queremos dizer ou não nos fazemos entender. 

Não é uma surpresa que o burnout é um dos temas mais quentes da gestão de pessoas em 2020 (Revista Exame-edição Fev/20) e que a qualidade da saúde mental dos funcionários é um dos principais elementos desse esgotamento. “Treinar” a nossa capacidade de lidar com sentimentos pode ajudar organizações na tarefa de melhorar esse cenário preocupante.

Gerir emoções e expressar sentimentos também ajuda o líder na tomada de decisão. O tempo todo, nosso corpo envia no nível emocional (não cognitivo), sinais que são essenciais para marcar quais cursos de ação são certos ou errados. Somente pela razão, seríamos incapazes até de decidir entre pizza ou macarrão, imagine então nos grandes dilemas corporativos.

Como lidar com as emoções?

Aqui vão algumas dicas de como aprimorar a nossa capacidade de gerir emoções:

· IDENTIFIQUE: prestar atenção aos sinais do corpo aumenta a auto percepção. Pergunte-se: – O que estou sentindo?

· ENCARE: acolher a emoção ajuda a evitar a “bola de neve” – sentir raiva por estar com raiva, sentir ainda mais tristeza por estar triste: -Sou humano, logo sinto!

· EXPRESSE: nomear as emoções/sentimentos nos coloca em ação e amplia a nossa capacidade de buscar soluções para lidar com a situação.

E acima de tudo, tenha coragem de ser vulnerável!

Boa sorte à todos nessa jornada.

Um grande abraço

Camila

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