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Divergir para Evoluir

Escolhi esse título para falar de uma etapa importante na vida de uma equipe, a etapa de conflito. De certa forma, todos nós tememos o conflito porque ele está relacionado à presença de emoções que nomeamos negativas: desconforto, raiva, medo, ciúme. Essas emoções podem surgir sim, quando há divergência em um grupo. Porém, “fazer de conta” que elas não estão presentes gera algo que costumo chamar de falsa harmonia. A falsa harmonia, na minha experiência com desenvolvimento de equipes e líderes, é a principal barreira para a construção da confiança no grupo. No texto: Quer aumentar a participação no seu time? menciono Will Schutz e as Etapas da Vida do Grupo. Nesse texto irei explorar a segunda etapa da vida do grupo, chamada de Controle. Você irá entender o que acontece no grupo nessa fase e como você pode atuar como líder para auxiliar o grupo e evoluir.

Nessa etapa de Controle, a necessidade interpessoal dos membros do grupo consiste em ser influente; na prática, trata-se de uma competição por liderar. Surge nos membros do grupo uma ansiedade (muitas vezes não consciente ou clara) de ser incompetente. Alguns de seus membros pode exercer mais poder no grupo e controlar as atividades dos outros. Percebemos isso quando o grupo fica muito tempo discutindo sobre metas, métodos, sobre a forma de realizar o trabalho, apresentando dificuldade para o consenso. Em outros grupos, pode aparecer uma certa cristalização de papéis. Uma única pessoa se voluntaria para determinada atividade. Quem contesta é sempre o mesmo, ou outro membro se torna aquele que silencia e abre mão do seu ponto de vista. Num grupo que apresenta dificuldades nessa etapa, há competição (velada ou explícita), falta confiança no trabalho dos colegas, os papéis estão fixos e o poder permanece centralizado em determinados membros. Isso dificulta a comunicação entre as pessoas, impede a criatividade de fluir e compromete os resultados do time.

O que ajudaria um grupo nesse momento de sua trajetória?

· Conversar sobre os papéis presentes no grupo e como impactam o trabalho

· Distribuir o poder e a liderança para que haja circulação da influência

· Trabalhar a admiração no grupo: quando transformamos inveja e ciúmes em admiração, o grupo só ganha com isso. Por exemplo, aumenta-se a autoconfiança dos membros, que se sentem amis seguros para participar e contribuir

· Conversar sobre como se dá a tomada de decisão na equipe. Será que causa desgaste nos relacionamentos? Como poderia ser diferente?

O líder precisa ter muita consciência de como se posiciona no time. Seu comportamento estimula competição? Nesta fase o dilema é: estou por cima ou estou por baixo. Se eu tenho a aprovação e admiração do líder, estou por cima, mando mais que meus colegas. Se o líder não me aprecia estou por baixo, ou seja, tenho menos influência na tomada de decisão da área. Outro aspecto importante sobre o líder, ele exerce mais de controle no seu estilo de liderar? Ou é capaz de delegar e confiar? O líder estimula a dependência ou a independência? O líder costuma reconhecer as pessoas pelo seu trabalho e evolução?

Quando um grupo está apresentando falsa harmonia e os conflitos estão escondidos debaixo do tapete, é necessário trabalhar e investir na inclusão e participação, desafiando seus membros a fornecer feedback de forma direta no grupo, tanto feedbacks de reconhecimento quanto de ajuste do comportamento de cada um. Investir no diálogo aberto é muito importante para que o grupo seja capaz de divergir e, mais tarde, cooperar e evoluir. Por último, é importante observar que esse processo não se trata de uma sequencia linear, pois como seres vivos e sistêmicos avançamos e retrocedemos. Vivemos em um mundo extremamente dinâmico, onde a entrada e saída de pessoas ou novas situações podem transformar a dinâmica da sua equipe, então fique atento e escolha a melhor forma de agir a partir das necessidades que estão emergindo no seu time.

Patricia Buzolin

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